Foto: Radilson Carlos Gomes
Ex-superintendente do HUB e uma das fundadoras da saúde coletiva na UnB propõe integração de prontuários e exames para combater o gargalo de espera nas UPAs
BRASÍLIA, 16 DE JULHO DE 2026 – A modernização do Sistema Único de Saúde (SUS) no Distrito Federal deve colocar a valorização das pessoas e o acolhimento humano acima de qualquer burocracia. A defesa foi apresentada pela professora, sanitarista e gestora pública Fátima Sousa, ao apontar que o uso estratégico da tecnologia e da inovação em saúde digital tem como missão principal dar condições dignas de trabalho às equipes da linha de frente. Para ela, o combate ao colapso e à ineficiência crônica da rede pública passa por modernizar os processos de gestão sem jamais perder de vista o cuidado humanizado com as pessoas.
Para a professora Fátima Sousa – reconhecida nacionalmente por sua trajetória acadêmica na Universidade de Brasília (UnB), onde atuou para o fortalecimento do campo da Saúde Coletiva, e pela gestão como superintendente do Hospital Universitário de Brasília (HUB) -, falar em inovação no SUS não é discutir ideias abstratas, mas soluções práticas que resolvam o gargalo diário das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), a falta de médicos especialistas e o sofrimento das famílias nas filas de espera.
A defesa da professora dialoga diretamente com iniciativas recentes desenvolvidas pela parceria entre a UnB e o HUB, que vêm desenhando novos modelos de informação e editais de inovação voltados à saúde digital no SUS. O objetivo desse modelo é integrar os dados de atendimento primário à rede especializada, garantindo que o histórico do paciente o acompanhe e reduza o tempo de diagnóstico.
Inovação passa por gestão e valorização
Durante sua gestão à frente do HUB, a professora Fátima consolidou a unidade como referência de eficiência operacional e segurança do paciente, com padrão de qualidade atestado em avaliações nacionais e a pactuação de convênios estratégicos com a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF). Para ela, a tecnologia só gera impacto real se estiver aliada à valorização de quem faz o SUS acontecer no dia a dia.
“Não existe saúde digital sem pessoas. A inovação tecnológica deve servir para desburocartizar o sistema e dar condições dignas de trabalho para os médicos, enfermeiros, técnicos e, fundamentalmente, para os agentes comunitários de saúde (ACS) e de vigilância ambiental (AVAS), que são o primeiro elo com a comunidade. Cuidar de quem cuida é o primeiro passo para que a tecnologia se converta em acolhimento e dignidade na porta da assistência”, aponta Fátima.
Texto: Priscila Ferreira

Sobre Fátima Sousa
Fátima Sousa é enfermeira de formação, sanitarista, doutora em Ciências da Saúde e professora titular da Universidade de Brasília (UnB), onde foi diretora da Faculdade de Ciências da Saúde e superintendente do Hospital Universitário de Brasília (HUB). Formuladora e defensora histórica de políticas públicas estruturantes do SUS, como o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e o Programa Saúde da Família (PSF) no Ministério da Saúde, atua há mais de quatro décadas na docência, pesquisa e gestão, sendo uma das vozes mais respeitadas na defesa da saúde pública e da integridade na gestão pública do país.


