Para Fátima Sousa, investir no cuidado é preparar o futuro do Distrito Federal

Professora, sanitarista e pré-candidata a deputada federal pelo PDT defende que colocar o cuidado no centro do orçamento e das políticas públicas é o único caminho para combater desigualdades e gerar desenvolvimento real

O Distrito Federal vive uma encruzilhada social. De um lado, o envelhecimento acelerado da população, o salto nas demandas por saúde mental e o abismo de desigualdade que separa as Regiões Administrativas. Do outro, uma visão ultrapassada que insiste em medir o desenvolvimento apenas por índices econômicos frios.

Para a professora e sanitarista Fátima Sousa, essa conta não fecha. A saída, segundo ela, exige uma mudança radical de perspectiva: tratar o cuidado como a infraestrutura social mais importante do Distrito Federal.

Com uma trajetória sólida – enfermeira, professora licenciada da UnB, ex-diretora da Faculdade de Ciências da Saúde, ex-superintendente do Hospital Universitário de Brasília (HUB) e pesquisadora de Saúde Coletiva -, Fátima defende que saúde, educação, ciência e assistência social não podem rodar em ilhas isoladas.

Cuidado como motor de desenvolvimento

Na visão da pré-candidata à Câmara dos Deputados pelo PDT, o bem-estar social é o verdadeiro combustível da economia local. “O cuidado não pode ser tratado como um custo para os governos. Quando fortalecemos a saúde, a educação, a ciência e a proteção social, estamos formando cidadãos, estimulando a inovação e construindo um DF preparado para o presente e para o futuro”, afirma.

Na prática, traduzir essa visão em gestão pública exige prioridades nítidas. Isso passa pelo fortalecimento da rede de proteção social – com atenção especial à primeira infância, expansão da educação em tempo integral e consolidação do SUS -, além da urgente valorização dos profissionais que sustentam esses serviços no dia a dia da saúde, da educação e da assistência. A equação se completa com o apoio decisivo à ciência, garantindo financiamento e tração para o conhecimento produzido pelas instituições públicas do Distrito Federal.

O reconhecimento da economia do cuidado

Um dos pontos centrais da tese de Fátima é a urgência de dar visibilidade ao trabalho das mulheres no Distrito Federal. Diariamente, milhares delas assumem a responsabilidade de cuidar de crianças, idosos, familiares doentes ou com deficiência – uma tarefa essencial para a sociedade, mas que ainda ocorre sob intensa sobrecarga e sem a infraestrutura necessária por parte do poder público.

“Uma sociedade justa reconhece quem sustenta a vida todos os dias. Precisamos de políticas públicas que garantam apoio a essas famílias. Ninguém deveria ter que escolher entre cuidar de quem ama e garantir a sua própria sobrevivência”, defende.

Do DF para o Congresso Nacional

Diante de desafios urgentes – como a transição demográfica, a crise climática e as incertezas do mercado de trabalho -, Fátima quer levar sua bagagem acadêmica e de gestão pública para a Câmara dos Deputados. A meta é garantir que a União destine mais recursos e priorize projetos voltados ao desenvolvimento humano do Distrito Federal.

“Passei a minha vida inteira na universidade, na gestão de serviços e na defesa intransigente do SUS”, pontua. “O Distrito Federal tem tudo para ser referência nacional em qualidade de vida e inovação social, mas isso exige compromisso ético e político com quem mais precisa. Cuidar das pessoas é a base para construir um DF justo e um Brasil mais forte”, conclui.

Texto: Priscila Ferreira
Foto: Radilson Carlos Gomes

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