Carta aberta à comunidade da Universidade de Brasília

Queridas e queridos estudantes, professoras e professores, técnicas e técnicos, servidoras e servidores, pesquisadoras e pesquisadores da nossa Universidade de Brasília, a UnB sempre foi e continua sendo muito mais do que uma instituição para mim. É espaço de formação, de construção coletiva do conhecimento, de defesa da democracia e de compromisso com a transformação social.

Foi aqui que aprendi, ensinei, pesquisei, dialoguei, construí e sigo construindo uma trajetória dedicada ao cuidado das pessoas, ao fortalecimento das políticas públicas e à defesa de uma sociedade mais justa. É com esse espírito que venho compartilhar uma decisão importante da minha caminhada: coloquei meu nome à disposição do Partido Democrático Trabalhista (PDT) como pré-candidata a Deputada Federal pelo Distrito Federal.Essa decisão nasce de uma história de vida construída no compromisso com o Brasil, com o Sistema Único de Saúde (SUS), com a educação pública, com a ciência e com a defesa de um Estado que cuide das pessoas, promova direitos e respeite os recursos públicos, que pertencem à sociedade.

O Distrito Federal, nossa jovem capital da esperança, aos seus 66 anos, enfrenta desafios que não podem ser naturalizados. A saúde pública e coletiva do DF pede respostas diante das filas nos serviços, das dificuldades de acesso, das fragilidades na atenção primária, da sobrecarga dos serviços e da necessidade urgente de fortalecer um sistema mais próximo das pessoas, especialmente nos territórios, nas Regiões Administrativas, onde a vida acontece.

foto: Júlio Minasi

Minha trajetória foi construída justamente na defesa de uma saúde pública e coletiva universal, integral, equânime, participativa e democrática. Esses valores e princípios estiveram presentes em todas as funções públicas que exerci. Foi assim quando coordenei a implantação do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) no Brasil e participei da equipe responsável pela construção e organização da Estratégia Saúde da Família (ESF) em todas as Unidades Federadas do país.

Naquele momento, ajudamos a construir uma mudança de paradigma para superar um modelo centrado apenas na doença para afirmar uma atenção voltada à prevenção, à promoção da saúde e ao cuidado das pessoas, famílias e comunidades. Dediquei quase quatro décadas da minha vida à organização da Atenção Primária à Saúde (APS), acreditando que cuidar antes de adoecer é uma das maiores expressões de justiça social.

Mais recentemente, tive a honra de estar à frente do Hospital Universitário de Brasília (HuB), um espaço de assistência, ensino, pesquisa, inovação e extensão, comprometido com o acolhimento e com a integração das equipes que cuidam da saúde e da vida da população do Distrito Federal. Minha história também é inseparável da educação. Fui coordenadora do Núcleo de Estudos em Saúde Pública (NESP), diretora da Faculdade de Ciências da Saúde (FS/UnB) e participei da construção dos programas de pós-graduação em Saúde Coletiva, incluindo mestrados e doutorados profissionais e acadêmicos. Também tive a oportunidade de participar da história inicial do campus da UnB em Ceilândia, hoje Faculdade de Ciências e Tecnologias em Saúde (FCTS).

Ao longo dessa caminhada, ajudamos a formar gerações de profissionais comprometidos com o SUS, com a ciência, com a ética e com a cidadania. Aprendi, na universidade pública, que o conhecimento só cumpre plenamente sua função quando está conectado às necessidades reais da sociedade. E é justamente por isso que acredito que este é um momento em que precisamos recuperar a confiança nas instituições e fortalecer a democracia. Precisamos enfrentar, com coragem, os desvios dos recursos públicos, defender a transparência, a ética na gestão e garantir que o patrimônio da população seja tratado com responsabilidade e respeito.

Os desafios atuais do Distrito Federal nos convocam a uma postura cidadã. A política precisa ser ocupada por pessoas com história, preparo, compromisso público e disposição para servir. Por isso, quero convidar meus ex-alunos da graduação ao pós-doutorado, colegas, pesquisadores, trabalhadores da saúde, educadores e toda a comunidade da UnB a caminharem comigo nesta construção.

Precisamos ampliar a presença das mulheres nos espaços de poder e decisão. Precisamos que uma enfermeira sanitarista, professora e pesquisadora possa ocupar uma cadeira na Câmara Federal para levar ao centro do debate nacional as pautas que sempre defendemos: saúde, educação, ciência, inclusão social, democracia e ética pública. Defender essas pautas é também defender a soberania nacional. Uma nação só é verdadeiramente soberana quando consegue garantir dignidade ao seu povo, valorizar sua ciência, proteger seus recursos, fortalecer suas instituições e construir caminhos próprios para superar desigualdades e reduzir a pobreza.

O Distrito Federal não pode se render ao descrédito, ao abandono das políticas públicas ou à perda de valores éticos na condução dos bens que pertencem a todas e todos nós. Uma jovem cidade, nascida como símbolo de esperança, pode e deve renovar seus sonhos. Com união, coragem e compromisso, podemos mudar os rumos do DF. Nós podemos fazer a diferença, porque, quando conhecimento, cuidado e esperança caminham juntos, nenhum futuro está perdido. Esta não é uma caminhada individual. É um chamado coletivo. Um chamado para que cada pessoa que acredita na força da educação, da ciência, da saúde pública/coletiva e da democracia assuma também o compromisso de construir o futuro que queremos. Com esperança, sempre!

Fátima Sousa: Professora titular do Departamento de Saúde Coletiva e ex-superintendente do Hospital Universitário da Universidade de Brasília, pré-candidata a Deputada Federal pelo Distrito Federal.

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